sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Inesquecível capítulo da novela Paraíso Tropical!
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Chomsky é o cara!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Procrastinar
Desprezo!
domingo, 18 de outubro de 2009
Lançamento da Revista Lama
sábado, 17 de outubro de 2009
LaTeX
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
TPM
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Resposta
Adoro debater com a Rey!
*****
Recebi a carta do MST por e-mail, publiquei aqui, o Rey respondeu e eu respondi de volta. Acho que o debate ficou interessante.
*****
Legenda:
MST
Rey
Lara
*****
ESCLARECIMENTOS SOBRE AS ACUSAÇÕES CONTRA O MST
Diante da repercussão dos últimos episódios que envolvem o MST, queremos esclarecer os fatos e questionar algumas "verdades" apresentadas na mídia burguesa sobre a ocupação da fazenda grilada pela multinacional Cutrale, no interior de São Paulo.
“Mídia burguesa”? Aff! Textos que começam assim já me dão enjôo e exigem de mim um grande esforço para continuar a ler. O uso dessa expressão não significa nada, a não ser que um monte de bobagem vem depois. Isso porque ela é usada como modo de dizer: “não acreditem neles unicamente porque eles são burgueses”, independentemente de estarem ou não relatando fatos.
Essas expressões caretas existem em qualquer discurso ideológico. Você mesmo usou a expressão "braço armado do PT". Essa parte em especial quer dizer apenas “desconfiem” e não afirma que ninguém está mentindo só porque é burguês. E acho plenamente justificável. O Observatório da Imprensa divulga frequentemente desmascarações de reportagens da revista Veja, que se diz imparcial e não é. Se a imprensa quer ser ideologicamente orientada, ótimo! Mas não se diga "imparcial"... E o problema não é ser burguês. A expressão é mais um ataque à ideologia que eles chamam de burguesa, que qualquer sociólogo vai te explicar como é, caso você não saiba. E veja bem, a expressão usada pelo MST é "questionar"e não “desmentir”.
A ocupação
No dia 28 de setembro, cerca de 250 famílias sem terra ocuparam pela terceira vez uma área de aproximadamente 3 mil hectares, grilada pela empresa transnacional de sucos Cutrale.
“grilada”?!
Segundo o dicionário Aulete, grileiro é “Pessoa que se apossa de terra alheia por meio de escritura falsa”. Segundo o próprio Incra, a quem o MST cita como comprovação da grilagem, as terras pertenciam originalmente à União. Mas o Incra não diz que a empresa forjou a compra das terras, mas que as comprou legalmente! Justamente por isso é que a disputa está na Justiça.
Logo, mesmo se as terras forem mesmo da União (e ainda é preciso provar que são), não seria grilagem e o termo usado pelo MST é só para distorcer a situação.
Realmente as terras não foram griladas pela Cutrale, mas foi grilada e depois vendida ilegalmente à Cutrale. O INCRA não disse que a Cutrale as comprou legalmente. Será que uma transnacional desse porte não tem advogados capazes de checar documentos e procedência deles antes de investir tanto dinheiro em terras? Pouco provável. Um ignorante compra uma moto roubada sem saber, mas meio improvável que uma empresa desse porte tenha gente idiota trabalhando nela.
A mobilização pretendia fazer pressão para que o governo federal agilizasse a retomada das áreas griladas (pertencentes a União) e efetuasse o assentamento das famílias acampadas na região.
Primeiro: o MST está denunciando a incompetência do governo Lula, é? Eu acho isso completamente injusto.
O MST tem que se decidir: Lula é amigo ou inimigo? Lula conseguiu fazer uma ampla reforma agrária ou não? Ele finalmente conseguiu ultrapassar a marca de terras doadas ao movimento por FHC ou não?
Segundo: já que a posse dessa terra em específico está sendo julgada na Justiça, o que o MST quer exatamente? Que o governo passe por cima da Justiça? Ou que a Justiça deixe de examinar rigorosamente o processo e simplesmente dê o resultado que o MST quer, sem examinar as provas direito?
O MST teve como parceiro o PT, mas não acho que ele "precisa decidir” se o Lula é "amigo ou inimigo". Primeiro porque eles não estão jogando RPG e segundo porque o movimento tem (ou deve ter) liberdade de se posicionar independentemente de partidos políticos, e acho isso louvável. E está bem claro que o governo Lula fez bem menos do que se esperava pela reforma agrária, mas lançou programas importantes de crédito ao trabalhador (todo mundo sabe que não adianta sair doando terra que nem produz). Aliás, foi umas das primeiras coisas que o governo fez quando assumiu, me lembro bem.
Outra coisa: essa história de “deixa a justiça trabalhar e decidir” é ingenuidade ou omissão. Sabemos que o sistema judiciário do nosso país nem sempre funciona. E decisões da justiça podem, devem e são questionadas em qualquer país. Quando há um assassinato, a população pode ir às ruas e protestar pela prisão dos assassinos. Quando a justiça decide inocentar um Maluf da vida, todo mundo concorda que deve haver protesto. A mobilização para pressionar a justiça sempre ocorreu e é uma forma legítima de fazer com que as pessoas que estão lá ocupando essa posição pensem de acordo com os interesses de todos. Não é porque se chama JUSTIÇA que é um poder abstrato, absoluto, incorrompível, incontestável e justo.
Logo após a ocupação, os trabalhadores rurais iniciaram a organização do acampamento. Como forma de denúncia, as famílias derrubaram cerca de 3 mil pés de laranja - que representam o grilo - para, no lugar, plantar alimentos. Alimentos estes que poderiam ser produzidos se lá não tivessem mais de um milhão de pés de laranja.
Então, eles estão confessando que derrubaram, não é?
Um reporte pergunta a uma integrante do MST: Vocês destruíram pés de laranja?
Militante do MST: Não, a gente não destruiu nada. A gente só tirou uns pés de laranja.
Tradução: “sim”.
(O MST acha que laranja não é alimento e que tudo o que não for alimento merece ser derrubado. Onde estão os ecologistas para protestar contra essa visão de mundo? Derrubemos a Amazônia inteira, então, para plantar feijão.)
Em nenhum dos esclarescimentos públicos, a não ser as entrevistas completamente editadas da GLOBO, a justificativa principal era que laranja não é alimento. E fique tranquilo que os ecologistas estão com o MST. O MST fundou no Paraná uma escola de agroecologia que é a maior da América Latina. Dê uma olhada nos trabalhos legais que eles fazem. E em todos os assentamentos há uma orientação de política ecológica por trás do manejo da terra, muito diferente do uso da terra feito por empresas como a Aracruz, a Monsanto e a Cutrale, que praticam monoculturas altamente destrutivas e não-recomendadas por nenhum ecologista. Pode pesquisar...
Se, neste momento, por conta das imagens repetidas exaustivamente e da ausência das informações da situação da luta pela terra na região, parte da sociedade e daqueles que sempre apoiaram nossa luta, reprovam essa forma de protesto, afirmamos que compreendemos e que estamos a disposição para quaisquer esclarecimentos.
O MST é sempre muito compreensivo com quem não concorda com ele. O termo “imprensa burguesa” a quem discorda não é pejorativo, muito pelo contrário: é um elogio!
Ser compreensivo é ruim? Já expliquei o termo imprensa burguesa... E acho que eles têm todo o direito de se posicionar contra uma imprensa altamente manipuladora. Não dá pra dizer que eles foram imparciais. E veja bem, ninguém disse que deve-se extinguir essa imprensa, eles apenas colocam a necessidade de um contraponto. Em relação à postura compreensiva, ponto pro MST. Em todos os contatos que tive com pessoas do movimento, a postura é sempre essa. Não há incoerências. Se fosse o contrário, você criticaria. A questão é não sonegar informação.
Somos os primeiros e mais interessados em fazer com que as terras agrícolas realmente produzam alimentos. No entanto, não podemos nos calar enquanto terras públicas continuarem sendo utilizadas em benefício privado;
Todo uso da terra é um uso privado, senhor MST. Mesmo que seja um uso dito “coletivo”, porque o “coletivo” sempre é constituído por indivíduos e não por estatísticas. Até dar a terra pública para famílias de militantes do movimento também é conceder terra pública para o uso privado. As pessoas são entes privados, não são bens públicos. Quem não entende isso não entende nada. A expressão “em benefício privado” não quer dizer nada. É só uma distorção usada como se fosse argumento.
Aqui concordo com você. Seria uso privado também doá-las a militantes. Acho que eles querem dizer (e se expressam mal, eu concordo) que o uso que eles propõem da terra é um pouco diferente. Primeiro, há muitos assentamentos que funcionam como comunidades, com escola, espaços comum, divisão de lucros e etc. Em Sarandi - PR tem um muito interessante, que funciona bastante bem e é exemplo aqui e fora do país do que poderia se chamar de uma cooperativa. Acho que eles querem opor isso à exploração da terra por empresas transnacionais, mas não fica bem explicado. A ideia aqui é "muita terra na mão de poucos". E tem uma diferença também: a terra foi comprada em 1909 para ser destinada à reforma agrária. Se essa empresa ficar com a terra, seria um dinheiro gasto pelo governo completamente à toa, já que vai ter que gastar mais dinheiro depois comprando novas terras. Nesse ponto, como pessoa que paga imposto, concordo com o MST. Por que o governo gastaria dinheiro da população para comprar terras que vão ser exploradas por uma empresa estrangeira sem que o governo receba um tostão por isso? Seria jogar sei lá quanto dinheiro no lixo.
enquanto milhares de famílias sem terra continuarem vivendo na beira de estradas, debaixo de lonas pretas.
Famílias, revoltem-se! Não aceitem mais viver nas lonas pretas do MST! Tomem de volta o controle de suas próprias vidas!
Elas estão no controle de suas vidas. Ninguém está lá obrigado. E ninguém passa fome porque quer ou porque "é vagabundo e não trabalha"... De novo, é só minimamente ler sobre a questão agrária no Brasil que você vai entender a necessidade da reforma agrária. Aliás, muitos governos capitalistas de outros países realizaram (re)distribuição de terra. Isso não é invenção comunistinha.
A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas.
Concordo plenamente que a produtividade de uma área não pode servir para justificar crimes cometidos pelos seus produtores, produzam eles laranjas ou feijão. É o MST quem prega que plantar um produto X é algo que justifica as invasões que cometem.
Ninguém disse que a justificativa da invasão era plantar feijão. O MST não prega isso, portanto sua informação está incorreta, além de ser uma generalização grosseira. E assino embaixo o que o MST disse: não é porque eles gastaram dinheiro plantando que devem tomar posse de terras públicas. Verificassem a situação da terra na hora do compra...
Aos olhos da população, por mais impactantes que sejam, as imagens não podem ocultar que uma multinacional extrai riqueza de terras griladas. Mais do que somente esclarecer os fatos, é preciso entender a complexidade e a dimensão da luta pela terra naquela região.
“Grilada”? “Extrai riquezas”?
Pensei que a Cutrale plantasse laranjas e não que extraísse petróleo...
Estude um pouco de agronomia, geografia, geologia, ou sei lá o quê, para entender que na hora de plantar, extrai-se riquezas mineirais do solo, além de água, com o perigo de torná-lo infértil se houver monocultura agressiva ou mau gerenciamento da terra.
O MST está presente na região de Iaras desde 1995.
Hum... E daí?
Isoladamente, como você espertamente colocou, não quer dizer nada. Mas continue lendo que você verá que a informação faz sentido dentro do parágrafo. É um trecho de "narração" segundo a terminologia do Bronckart.
Ao passo que o enfrentamento aos latifúndios ia avançando, mais famílias se organizavam nos acampamentos - algumas delas já acampadas há quase dez anos. Com a confirmação de que o Complexo Monções, uma área de mais de 100 mil hectares, é terra pública pertencente a União, uma pequena parte dele foi destinado a Reforma Agrária e algumas famílias assentadas. Mas ainda existem 450 famílias a espera de terra.
Por que elas não são assentadas nos outros 90 mil hectares restantes? Será que é por que todas as áreas que ainda poderiam ser retomadas são terras públicas que estão sendo utilizadas indevidamente por grandes empresas multinacionais como a Cutrale?
Vamos combinar o seguinte, MST:
1) vocês confessam que estavam errados nos últimos 25 anos em que invadiram terras que não eram públicas;
2) a gente manda para julgamento os líderes do movimento que patrocinaram essas invasões;
3) e a partir de agora o MST só invade áreas públicas, ocupadas (i)legalmente ou não por empresas privadas.
Que tal?
Eu sei que isso é ainda admitir que o MST possa invadir e destruir propriedade alheia, mas se o MST só invadir terras em disputa judicial entre o governo e empresas privadas, já vai ser um enorme salto em direção à civilização.
Dê uma olhadinha no histórico de ocupações e as justificativas. Tenho certeza que vai haver bons motivos como esse para a maioria delas. Outra coisa: as ocupações são parte de uma luta por reforma agrária. Para entender a legitimidade disso, precisa-se admitir que as minorias tenham direito de pressionar o governo e a sociedade para que alguns problemas sejam resolvidos. Se não, fica parecendo tudo absurdo. Outra, toda desapropriação de terra vem acompanhada de uma justificativa legal e de uma gorda indenização. Ter terra improdutiva vai contra a constituição que prega uma série de deveres em relação à terra. O Stedile fala disso na entrevista.
É dever do Incra e do governo federal arrecadar terras públicas, patrimônio do povo brasileiro, para atender as famílias sem terra, sem que seja necessário ir ao extremo da necessidade humana em permanecer mais de 10 anos sob lonas, na chuva, no frio, no sol forte em beiras de estradas, para nelas produzir alimentos saudáveis e fazer cumprir a função social prevista na Constituição.
O MST é assim: só vale decisão judicial que se conforma com os objetivos deles.
O resto do parágrafo é só apelação emotiva, que não tem nada a ver com a discussão. O mérito do julgamento é independente da imagem dramática criada pelas próprias ações do MST, já que é o movimento que coloca essas famílias "em lonas", por anos, "na chuva e no frio".
Apelação emotiva pra gente que recebe do governo pra estudar e mora em Pinheiros, na Paulista. Sinto muito informar, mas o que se chamou de apelação emotiva é a realidade dessas pessoas. Pode até ter uma motivação de apelo, mas tanto quanto aquelas fotos de crianças africanas famintas que a playboyzada adora por no orkut. É preciso denunciar a pobreza e a miséria em todo o lugar, seja na África, nas favelas ou nos acampamentos de beira de estrada.
Aliado a tudo isso, há também a forte atuação do Poder Judiciário para emperrar o processo de Reforma Agrária.
Bobagem! Isso é apenas um discurso para deixar os juízes na defensiva, fazendo com que a cada decisão judicial tenham que tentar provar sua isenção. E como juízes provam que são isentos? Sempre favorecendo o lado que cobra isenção.
Eles possuem o direito de pressionar assim como possuímos o direito de pressionar o Sarney a deixar a presidência do Senado. A causa é justa e eles estão lutando por ela. Juízes não são caras bonzinhos, honestos e conscientes que sempre pensam no bem estar coletivo. Lembra do Nicolau? Há muitos outros casos, aliás. Não acho impossível que o Poder Judiciário esteja emperrando isso, assim como emperra milhares de outras coisas como a justiça contra corrupção. O MST não pode provar isso. E nem a gente pode provar o contrário...
É preciso chamar a atenção para a decisão da Justiça Federal de Ourinhos (SP) que, em agosto, decretou a extinção do processo em que o Incra reclama a fazenda como terra pública.
Cuidado, Justiça Federal de Ourinhos! Daqui a pouco o MST vai invadir vocês também. Como forma de denúncia, vocês sabem.
Seu comentário é pura apelação sarcástica e não contribui para a discussão.
A Justiça alegou que o Incra, órgão federal responsável pela execução da Reforma Agrária, é ilegítimo para reivindicar a área. Quem poderá fazê-lo então?
Resposta: A União, se ela for realmente a verdadeira dona das terras. O Incra, por ser federal, tem tanto direito de recorrer às terras quanto teria a Universidade Federal de Cabrobró do Noroeste.
A culpa não é da Justiça se os advogados do Incra e do MST não conhecem as leis.
A diferença entre o Incra e Universidade Federal de Cabrobró do Nordeste é que o INCRA é parte interessada, já que as terras foram adquiridas pelo governo brasileiro para serem destinadas à reforma agrária.
Esperamos que essa decisão judicial, um exemplo dos entraves existentes para impedir o avanço da Reforma Agrária em nosso país, seja revertida nas instâncias superiores do Poder Judiciário. Queremos saber por que uma fazenda grilada não pode ser destinada a Reforma Agrária?
Quem está dizendo que não pode ser destinada para a Reforma Agrária? O MST levanta uma pergunta que parece não ter nada a ver com o assunto, soa como se não tivesse nada a ver com o assunto, mas não se enganem, meus amigos, ela realmente não tem nada a ver com o assunto!
Tem a ver com o assunto justamente pelo o que eu já mencionei aqui: as terras foram adquiridas para a reforma agrária e foram vendidas ilegalmente. Assim como acho injusto que o dono de uma moto roubada não possa tê-la de volta porque há um "terceiro de boa fé" envolvido, acho injusto que essas terras permaneçam com a Cutrale ao invés de ter o seu destino original: assentamento de famílias sem terra. Tem lei que regulamenta isso, mas tenho direito, assim como o MST, de achar injusto e protestar.
A depredação da fazenda
Repudiamos a versão construída para responsabilizar o MST pela depredação da fazenda. Admitimos que, assim como derrubamos pés de laranja, fizemos algumas pichações para deixar registrado o nosso protesto contra a grilagem da área. Porém, estamos sofrendo acusações e queremos esclarecer que:
Traduzindo: “sim, nós depredamos a fazendo; mas não!, nós não aceitamos ser responsabilizados pela depredação!”. Ok, então. Não posso discutir com esse argumento.
As pichações são forma de protesto bastante conhecida e utilizada em vários lugares do mundo. Ninguém está pichando por diversão ou para assinar o nome no muro ou para escrever "Thiago vai tomar no cu" ou "Eu te amo Cremilda". As depredações às quais o texto se refere são a destruição de tratores, roubo, etc.
Destruição e roubo das casas: logo após a ocupação, em acordo comos trabalhadores que moram na fazenda, as casas foram desocupadas e trancadas.
Como assim? Havia famílias de trabalhadores morando na fazenda? O que aconteceu com elas depois que a fazenda foi invadida? Foram morar em “na beira de estradas, debaixo de lonas pretas”?
De acordo com a lógica do MST, se a Cutrale gera empregos que alimentam várias famílias, então, mesmo se a empresa tivesse invadido o terreno, seria uma invasão justificada! Afinal, eles estão alimentando o povo brasileiro, não é? Pela lógica do MST, se a União fosse dona e doasse as terras para a Cutrale, também estaria fazendo reforma agrária, não é?
Recomendação: ler mais sobre o que significa "Reforma Agrária". Aqui há uma comparação inválida. Reforma Agrária não é dar terra para gente que já possui terra! E claro, a Cutrale só está produzindo laranjas lá com o intuito de dar emprego para famílias brasileiras... Ficaram com dó de ver a terra lá parada e resolveram plantar para gerar empregos.
Eu acho o contrário: se a Cutrale invadiu propriedade alheia, esta tem que ser restituída à União. Se o MST invadiu propriedade da Cutrale, esta deve ser devolvida à Cutrale.
Não existe "da Cutrale" se é alheia... Se o referente é o mesmo, a propriedade alheia (da União) continua sendo alheia, mesmo a Cutrale ocupando a terra.
Mais tarde, alguns deles decidiram retirar seus pertences de dentro da área. Em todas as nossas ocupações sempre respeitamos os trabalhadores e zelamos por sua segurança.
Eu acredito. A gente sabe que o MST só prende, tortura e mata policial pernambucano, né?
Ladrões, assassinos e torturadores não são exclusividade do MST. O MST nunca difundiu, pregou ou apoiou tais atitudes. Se alguns fizeram estavam errados. Pessoas más existem em qualquer canto, em qualquer partido, em qualquer organização. Os seguranças de um shopping torturaram um cara esses tempos. Ninguém diz por aí que "os seguranças de shopping (enquanto classe) estão em errados em difundirem tais posturas". Qualquer grupo tem pessoas que praticam más ações dentro sem que isso seja confundido com "postura do grupo". Duvido alguém provar que o MST (enquanto entidade) aprovou essas atitudes.
Depredação de tratores: uma empresa com esse porte possui oficina mecânica dentro das fazendas e, portanto, faz a manutenção das suas máquinas dentro da própria área. As imagens mostram tratores e peças que já estavam abandonadas e desmontadas antes das famílias chegarem lá. Quem tem que responder pelo estado dos equipamentos é a Cutrale e não o MST
Então, as possibilidades lógicas são:
1) o MST realmente destruiu os equipamentos, etc;
2) a Cutrale inventou isso, divulgando imagens falsas.
Com quem está a verdade? Não tenho a mínima idéia. Mas não entendo como isso significa que qualquer pessoa que divulgue essa denúncia ou acredite nela só possa ser alguém completamente mal intencionado.
Não podemos provar nada a esse respeito mesmo, porque não estávamos lá. Mas não foi a Cutrale que divulgou as imagens. E outra: os veículos de informação são responsáveis pelas informações que divulgam. Se eu fizer uma pesquisa eleitoral falsa ou não registrada e um jornal publicar, o jornal também é punido severamente com multa. Portanto, eles são responsáveis por não checar as informações.
Roubo de combustíveis e venenos: como seria possível as famílias furtarem 15 mil litros de combustíveis e toneladas de veneno sendo escoltadas pela PM e transportadas em cima de uma carroceria de caminhão?
Essas acusações são infundadas. Como tudo isso poderia ter sido feito por famílias que estiveram o tempo todo cercadas pelas tropas da Policia Militar, sempre munida de câmeras filmadoras, com apoio de helicópteros e que no despejo foram colocadas em cima de dois caminhões da própria multinacional Cutrale?
Recomendação ao MST: parar de invadir terras produtivas de outras pessoas, evitando, assim, ser alvo de denúncias mentirosas e agressões criminosas daqueles que tiveram suas vidas ameaçadas, suas propriedades destruídas e que estejam em busca de vingança, mesmo injusta. Para a própria segurança dos seus militantes.
Ah, então se eu me sinto lesada, tenho direito de revidar? Você mesmo disse que era contra fazer justiça com as próprias mãos... Acho criminoso o ataque contra as famílias do MST. Isso é herança do coronelismo, em que jagunços matavam quem se opunha aos coronéis. E acho um bom argumento esse de dizer que eles estavam cercados: o MST podia dizer que não fariam, ou que não queriam e esse seria um argumento fraco. Mas disseram que não havia como (o que NÃO implica que fariam se tivesse).
Não cometemos aqueles atos de vandalismos e exigimos que os mesmo sejam identificados e punidos. Se às vezes acontecem excessos isolados em nossas ocupações, buscamos avaliá-los e corrigi-los. Diante do conflito estabelecido na hora do despejo, os integrantes do MST não puderam acompanhar a entrada da PM na fazenda após a desocupação. O que realmente aconteceu após a saída das famílias acampadas?
Se “às vezes acontecem” vandalismos, é uma possibilidade lógica que a denúncia de vandalismos possa ser “fundada” sim, não é? Ao invés de ser mera invenção da “imprensa golpista”, não é?
Leia melhor: se os excessos ocorrem, eles são avaliados e punidos. Isso não quer dizer que eles não ocorrem, só quer dizer que a política do movimento é contra eles.
Por que tendo recebido imagens da destruição dos pés de laranja ainda no dia 28 de setembro, somente no dia 5 de outubro a Rede Globo resolveu exibi-las e fazer de forma tão apelativa?
O que é que essa pergunta quer dizer? O MST faz uma pergunta absurda soar como uma denúncia importante. Do que eles estão reclamando? De a Globo não ter divulgado logo, não ter feito logo um estardalhaço? A pergunta só não é estúpida, porque é completamente calculada para ser enganadora.
Acho a pergunta válida: a Globo vende a imagem de "preocupação com a sociedade", com propagandas, comentários e reportagens de denúncia. Se eles estão realmente preocupados com o "crime" que o MST cometeu, por que esperaram para divulgar? Serve para as pessoas pensarem e repensarem esse tipo de imagem vendida.
Os representantes do agronegócio e a bancada ruralista precisavam de algum argumento que justificasse mais uma tentativa de instalação de uma nova CPI contra o MST.
Pois é! Os documentos que comprovam o desvio de milhões de reais do dinheiro público não são suficientes para instalar a CPI...
O que se chama de desvio é: o governo dá dinheiro para diversas ONG's e afins, que podem usar o dinheiro em favor de suas causas. Algumas delas repassam a verba para o MST, assim como outras repassam a verba para creches ou sei lá o que. Pode haver irregularidades nesse processo e elas devem ser investigadas, mas pode-se ver bem que as CPI's servem mais para fazer estardalhaço na mídia e queimar os investigados sem que haja provas do que para punir. É só olhar o resultado das últimas. Não se pode negar que os diversos grupos políticos (não estou dizendo que o PT não faz isso) usam das CPI's para destruir a imagem dos investigados. CPI está na moda e mesmo assim acaba tudo em pizza.
Com isso, a verdadeira intenção, é inviabilizar a atuação de um movimento social que há 25 anos luta pela terra no Brasil.
Blá, blá, blá... A desculpa de sempre para justificar desmandos. Os que querem investigar são sempre mal intencionados.Principalmente quando encontram provas.
Cadê as provas? E quais desmandos?
Convidamos toda a sociedade, cidadãos e cidadãs brasileiros, autoridades e parlamentes, para visitar a região, a área ocupada, conversar com as famílias acampadas e tirar as suas conclusões.
O Ministério Público e os senadores eleitos, membros da CPI também?
Toda a sociedade, autoridades e parlamentares. Está bem explícito, não tenha má vontade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009.
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA
DIREÇÃO ESTADUAL/ SP
São Paulo, 13 de outubro de 2009
Eu, um joão-ninguém.
São Paulo, 14 de outubro de 2009
Lara Frutos González